quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A dozura e o espíritu de Al Andalus


Jà sei que onte disse que hoje iamos falar dumha mulher que tange kora, mas agora escuito a Amina Alaoui, e não posso me livrar do seu engado.
Amina Alaoui, nasce na cidade de Fés, em Marrocos, no ano 1964.
Fés é a cidade muçulmana com a Medina mais velha do mundo. Desde o século XII segue igual, ancorada no tempo, em eterna contradicção entre o seu trafego costante e a inmovilidade no tempo da sua medina na que, quando entras por primeira vez, não sabes se ficas na realidade ou num mundo paralelo.
Não sou capaz de descrever a Medina de Fés, com seus olores, suas ruelas que parecem levar a outros mundos ocultos e os seus souks ateigados de prata, pedras, babuchas, lámpadas, tapetes, alfombras, ervas, perfumes...
Hà que entrar na Medina de Fés para sentir sensações tão fortes .
E ver, ao passar à sua beira, desde certa distáncia, todo o labirinto e amalgama de casinhas branquecinas salpicadas de alminares das mesquitas com telhas verdes e três bólas de metal e a meia lua no bico. E as rulas que voam, ao lonje, dentro da visão onírica da Medina desde a parte moderna de Fés, umha cidade totalmente "europeia".
A familia de Amina Alaoui, tem muito que ver tanto com a tradição popular marroquina, como com os meios intelectuais e artísticos da cidade, capital intelectual de Marrocos.
Aos seis anos, começa a estudar canto arábigo-andaluz, piano clásico, dança contemporánea e clásica, dança marroquina e oriental, junto a grandes mestres e, mais tarde, no Conservatório de Música de Rabat.
Aos dez anos, publicou seus primeiros poemas e, mais tarde, licencia-se na Universidade em linguas: Árabe, francês e espanhol.
A partir de aí começa um trabalho de pesquisa nos cantos arábigo-andaluces, persas, canto medieval europeu.
Sua música, dentro da tradição andalusí, dos muçulmanos fugidos durante as persecuções encetadas polos "Reis Católicos" Isabel de Castela e Fernando de Aragom, a travês da Inquisição que instauram, pertence a um tipo chamado ghamati. É umha música que enlaça claramente com a música medieval, cantada com acompanhamento de oud, laude, e violinos que se tocam en vertical.
Em Marrocos há grandes orquestras de música andalusí que tocam arreio na tv.
A ver se gostás das canções primorosas de Amina Alaoui. Um agasalho para o espíritu:

Do seu primeiro trabalho, "Musique Arabo-andalouse du Maroc" com Ahmed Piro:



Do seu segundo trabalho , "Alcántara", que en árabe significa " A Ponte":







quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Salif Keita, Toumani Diabaté

São os dous mestres de Kora mais conhescidos fóra do seu pais.
Como jà onte vos deixei a ligação a oescunchador para saber de suas vidas, hoje vou vos deixar uns temas de kora e voz, cantos tribais, duetos com outros artistas, mais na linha do blues.
Bom; eu ponho os temas para que escuités.


Toumani Diabate e a sua kora mágica; Semelha água de chuva caendo,pinga a pinga, sobre os campos:



Com Taj Mahal, estoutro tema:





O Príncipe albino, Salif Keita:



Com Cesária Évora:



Com estas canções rematamos polo de agora com os mestres da kora. Manhã tentarei trazer umha mestra de kora.
Até.




terça-feira, 25 de setembro de 2007

Os tangedores de kora: Ali Farka Touré



Aínda que tinha encetado o fio das mulheres africanas, que re-tomarei manhã, hoje não me resisto a pôr aquí aos mestres da kora, o instrumento de corda do império mandinga por méritos próprios.
Como não me quero repetir, aquí só vou ir pondo as músicas de cada um.
Deixo a ligação ao meu escunchador, por se alguem quer conhescer às pessoas e suas histórias.
Eles são três: Ali Farka Touré, Toumane Diabaté e Salif Keita. A ligaçao é:

http://oescunchador.blogaliza.org/%20Africa,cousas%20minhas,%20Galiza,%20Lista%20de%20liga%C3%A7%C3%B5es,%20mulheres,%20mundo,%20m%C3%BAsicas,%20sem%20clasificar,%20tar%C3%B4/musicas/page/2/

Como é muito longa, podedes cortar e colar, porque não me deixa pôr a ligação directa. São os quatro últimos fios da página, os que falam dos tangedores deste instrumeno de sões mágicos, suas vidas, seus mundos.

Os primeiros temas que imos escuitar, são do mestre Ali Farka, finado hà pouco tempo, deixando um fermoso trabalho póstumo: Savane.
Pois aí vai o primeiro tema Soukora:



O segundo, Mali Dje. Aquí mestura-se o som da kora com os cantos do Mali:



Agora, estes dous temas do trabalho que gravou junto com Ray Coder : Talking Timbuktu:





Por último, do seu trabalho póstumo: savane



E o tema que da o título ao trabalho, savane, um tema hipnótico e fermoso que me faz sonhar com a dozura, a poesia e a espiritualidade do cotiã que tem os africanos. Deixo-vos aquí um fragmento que conseguí subir, porque o Goear deixou de funcionar no intre en que subia o tema. Ainda assim, penso que paga a pena:











sábado, 22 de setembro de 2007

Voces Africanas. Al Magrib





Hoje vou encetar uns fios sobre mulheres africanas , as suas voces e a sua música.
Empezando polo Mediterraneo, mar aglutinador de culturas, hà umha moça que tem umha
voz "mediterranea " nas suas texturas, na sua música ondulante, que lembra a de outras mulheres que cantam, na beira norte do Mediterraneo, ainda que ela, procede da banda sul.
Chamam-lhe
Souad Massi, nasce em Argel, o 23 de Agosto de 1972.
A sua família, humilde, é umha família de melómanos, e ela, desde criança, conhesce o
chaabi, música do Magrib que se caracteriza polo seu ritmo, muito vivo, que acompanha as danças das mulheres que movem os quadris e as nádegas cum ritmo que produz vertigem só de o mirar. Tamém a música árabe de origem andalusí.
Mais tarde descobre o rock and roll, o pop, o folk, o country, o flamenco, e decide aprender solfeo e guitarra e entra num grupo chamado
Triana D'Alger, no 1989 e mais tarde no grupo de rock Atakor.
Mais tarde comeza a guerra civil e o tempo dos atentados. Era perigoso cantar num grupo de rock e deixa a música para estudar urbanismo e faz-se engenheira. Trabalhou num gabinete de urbanistas de Argel como bolseira, mas abandona o urbanismo e volve à música.
No mes de Ramadam de 1999, é convidada a um festival de cantantes de Argélia no
"Cabaret Sauvage" De Paris e jà não volve a Argélia.
Grava seu primeiro trabalho em Paris, "Raoui" " O contacontos" aos que seguiram "Deb" "Burro de carga" e " Mesk Elil" "Chuchamel".
A propósito deste último trabalho, declara numha entrevista:



"El olor de la madreselva me trae recuerdos de infancia, de la familia y del Mediterráneo. La nostalgia me ha inspirado para escribir las canciones del disco", dice. "Hace ya casi siete años que vivo en Francia y empieza a pesar. Sientes que estás lejos de tu país y que te pierdes muchas cosas".
Mas também:
"
"Salió bien y me quedé. Los conciertos y los viajes me han permitido evolucionar. No creo que eso hubiera sido posible en Argelia".

Sempre as contradições que sofrem os que emigram.


Ao fim, todas as suas canções tão cheias de nostálgia polo seu pais.
A sua voz é preciosa. Tem textura mediterranea, como a de Maria del Mar Bonet, ou Eleftheria Arvanitaki, e a influência da cultura da outra banda do mar.
Ela mesma define assim seu trabalho:
"
No he inventado nada. Me encanta la música occidental y siento un profundo respeto por la oriental. Lo que hago es darle color a la música moderna a base de introducir instrumentos clásicos árabes".
Antes de vos pôr sua música, vou-vos deixar umha das suas letras, em árabe, com sua traduçao:


PICA PARA AGRANDARContacontos

Conta, contacontos, um conto,
que seja umha boa história.
Conta-me da gente de Algum dia,
conta-me das mil e umha nuites
De Lunya, a filha do Ogro
e do filho do Sultão.

Há muito, muito tempo...
Leva-nos longe do mundo.
Hà muito, muito tempo...
Cadaquem tem um conto em seu coração.

Conta e esquece que somos adultos

faz coma se for crianças
e acreditassemos em todos os contos.

Conta-nos do céu e do inferno,
do pássaro que nunca voou.

Conta-nos do céu e do inferno,
do pássaro que nunca voou.

Faz-nos comprender o mundo.

Hà muito, muito tempo....
Leva-nos longe do mundo
Hà muito, muito tempo....
Cadaquem tem em seu coração um conto.

Conta, contacontos, como a ti te contarom

não ponhas nem tires nada ti
Podemos ve-lo na tua cabeça.

Conta e faz-nos esquecer este tempo

E deixanos no de HAVIA UMHA VEZ...



Bom. Agora vou pôr as canções. A primeira, esta mesma, que da nome ao seu primeiro trabalho em França, no 2001:
"Raoui":




E umha canção cantada a duo com Marc Lavoine, adicada à cidade de acolhida:
"Paris":



Do seu segundo trabalho "Deb" "Burro de Garga":



"Houria", um nome de mulher:



Do seu terceiro trabalho "Mesk Elil" "Chuchamel":



"Dar Djedi" "Casa de meu avó":



Espero que disfrutés da voz de mar de Souad Massi.
Aperta.



quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Mesturando ritmos, linguas, sões.



Hoje vou-vos contar cousas dum grupo do que gosto muito, porque mesturam com alegria e sabiamente os ritmos de cada um dos seus componhentes e seus lugares de origem. A saber:
Música tradicional da Khabila Argelina. Umhas pingas de "musette" parisina. Ecos de América Latina . Umhas notas de violino e um bocadinho de saxos e flautas na linha do funky e do jazz-funk.
Mesturamos tudo, remexemos um chisco e...Voilà EL GAFLA, listo para saborear.
Por certo, El Gafla, em árabe, significa "Improvisado, imprevisto". Algo que se faz sem o ter previsto nem planeado previamente.
Os componhentes de El Gafla, são:
Karim, autor-compositor, voz e guitarra. Um bereber da Khabila argelina que chega a Paris no 1992.
Mazigh, percusionista ,mestura de khabilenho e polaca. Toca a darbouka.
B-Roy, acordeonista de Rádio Bemba, francês de Auvergnat.
Bastien, violinista clásico que se embarcou no projecto.
Ricardo e o seu caixão, aporta o color da América Latina.
Enzo, italiano que toca a guitarra.
Hakim, argelino que toca o baixo.
Franck, saxo soprano, tenor e flauta.

No 2003 gravam um trabalho com 5 temas " Ya Bouya" O meu Pai.
No 2006, editam um novo trabalho com 13 temas:
pA/Ris-casbah.
Parte destes temas deixovo-los aquí para que podades julgar por vós mesmos.
















As letras mesuram francês, árabe e amazigh da Khabila.



domingo, 16 de setembro de 2007

Misterioso Raval







Antes de trazer os temas que quedam da selecção de "La Radiolina", ponho umha ligação a umha reportagem que hoje sai publicada no diário "El Pais"sobre o bairro que me inspirou este blogue de mesturas, arrabaldos, periférias e a música que as acompanha:
http://www.elpais.com/articulo/paginas/Misterioso/Raval/elpepugen/20070916elpepspag_13/Tes
De seguro que se o ledes, vai-vos interesar. Sobretudo aos que tem gana de conhescer mais sobre esse espaço tão singular.



Bom. Agora vou-vos seguir a contar as histórias da Radiolina. Por certo. A Palàvra Radiolina, vem de radiola, que vem sendo "umha espécie de gramofone associado a um aparelho de radiofonia" . Aquelas radios com alto-falante e pesquisador de frequências redondos , coma um sol.













.
E, se falamos italiano, umha "piccola" radio coma aquelas que se utilizavam tanto há anos, para escuitar os partidos.

Mais tarde icorporarom a função de reproduzir cassettes de música e foram um símbolo dumha época, a dos setenta. Na Galiza havia um dito: "Não hà parto sem dor, nem parvo sem "transistor""













Bem, pois ao que iamos:
Os últimos temas deste trabalho da Radiolina que vos vou deixar, são muito diferentes.

A primeira, "Pícola radiolina" é um tema instrumental que dura apenas 1 minuto e 10 ", mas que traz ecos de melodia circense, ou de algúm filme italiano,ou de teatrinho de monicreques.



A segunda, "Mamá Cuchara", é umha típica canção de Manu Chao, com referências a América Latina, à chuva , ao frio, à tenrura de Mamá Cuchara, um desses personagens do seu imaginário particular.


"Amalucada Vida", unha canção de amor e de ausência, com a base de ritmos marcados mas suaves, com "punteos" que se vão repetindo. A "onda" de Manu:




"Soñé otro Mundo", um desses temas que mesturam recitados com música, sobre sonhos e cumha mensagem optimista :"Siempre toca llegar"





E, até aquí, minha selecção.
Hà mais temas no disco, mas estes são os meus preferidos.
Espero que vocês também gostem.
Manhà, será outro dia, e suposso que ha de haver outras músicas.
Apertas.



sábado, 15 de setembro de 2007

Continua radiando "La Radiolina"










Hà umha cita de Eduardo Galeano que vem de encarte para este trabalho de Manu Chao:
"El mundo al revés nos enseña a padecer la realidad en lugar de cambiarla, a olvidar el pasado en lugar de escucharlo y a aceptar el futuro en lugar de imaginarlo: así practica el crimen, y así lo recomienda. En su escuela, escuela del crimen, son obligatorias las clases de impotencia, amnesia y resignación. Pero está visto que no hay desgracia sin gracia, ni cara que no tenga su contracara, ni desaliento que no busque su aliento. Ni tampoco hay escuela que no encuentre su contra escuela.”
Eduardo Galeano

Hoje vou pôr duas canções mais, que falam do açar e a arbitrariedade que a vida é, em si mesma, desde que nascemos, invocando todo um símbolo da Argentina, Maradona.

A segunda, fala do açar que nos vem por parte dos demais: A boa ou a "Mala Fama" que umha pessoa pode ter sem saber bem o por que, a meirande parte das veces.

Parece que estas duas canções são um chisco pesimistas, mesmo cum toque de fatalismo vital.
Em fim...Tal vez influências da cidade do tango...








Espero que gostés.
Manhá mais.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

La Radiolina. O amor. As Putas. O mundo do revês


Estes quatro temas de La Radiolina que vos deixo hoje, falam de amor, em italiano arrabaleiro.

Das putas "Me llaman Calle", do filme "Princesas". Umha canção tenra, cheia de agarimo e sonhos de umha vida melhor. Persoalmente, penso que esta canção define o jeito de ver a vida tão escaso hoje em dia. Desde o amor polas pessoas menos favorecidas.

Do mundo ao revês no que nos tocou viver e do dificil que resulta . Ainda assim, a luita por viver e "La muerte es un regreso que tendrá que esperar, porque yo voy p'al frente deste mundo demente".

O último tema de hoje, El Hoyo, tem umha marcada complicidade com os grupos de rock argentino, ao meu ver.
Jà vos disse onte que este trabalho era de matiz portenho, assim como o de Sibérie era claramente parisino ou o de Radio Bemba Barcelonês.
Bom. Espero que disfrutedes com estes quatro temas. Manhà, os que faltam.








quinta-feira, 13 de setembro de 2007

La Radiolina


Este último trabalho do mago Manu Chao, que sabe mesturar sões, músicas, culturas, que vai em metro ou em bicicleta, que senta a falar na "Plaçaeltripi" com os músicos da rua. Que ajuda aos grupos que começam, que mesmo lhe agasalha canções, toca com eles, que abandonou Virgin para volver às gravações artesanais, que quis que umha das putas do filme "Princesas" fosse recolher o prémio "Goya" À melhor Banda Sonora adjudicado à sua música.
Este último trabalho, digo, vem, coma o de Sibérie, acompanhado por um librinho de vinte páginas cheias dessas cores das que ele tanto gosta: Verdes, amarelos, vermelhos... e polos desenhos do seu companeiro, o polaco Wozniak, que já vem trabalhando com ele hà tempo.
Vou trazer umha seleição de canções que me parecem fermosas e na sua linha mais tranquila e intimista que a de Radio Bemba, mas com ritmos, trompetas, carros de policia de fundo, advertências dos nossos "Colifatos " a Bush...
Este trabalho, é marcadamente argentino: O video-clip, que jà apareceu por aquí, rodou-se em Bs.As. com colaboração dos Colifatos, as palàvras, as frases feitas, trazem aires portenhos.
Hoje vou pôr duas canções. Espero que gostedes.
Manhà, mais:



quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Alma de Tango


Là, no fundo, penso que tenho ama de tango. De música de bandoneón e histórias de nostalgias e desesperos do amor.
Hoje imos rematar de passeiar pola cidade portenha, com algúns tangos fermosos.
Primeiro, um baile, do filme de Carlos Saura:



E outros tangos cantados por o meu caro Andrés Calamaro que falam dos bairros, da cidade, das nostalgias e, como não...do amor.






A nostalgia, a saudade, como dizemos os galego-falantes, é um sentimento universal, mas que cada cultura vive e nomina diferente.
Para mim, é um jeito de viver.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Militarizados

Por um tempo, a tirania, reina na cidade portenha.
O tango escuita-se apenas soterrado polas botas militares e os berros de dolor:



Mas, após fugir, como antes, quando chegaram também fugidos da fame e a miséria dos seus paises de origem,o retorno à cidade e à vida, é umha re-afirmação da sua essència portenha e argentina:



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Tristeça portenha.

Eu sempre penso que o tango é a expressão do existencialismo a travês da música.
É a música existencial por excelência. Narra histórias de pessoas que, como aquele estrangeiro de Camus, na praia argelina na que o calor do sol derretia os miolos, se vem abocadas a viver uns acontecementos que não podem calcular, nem programar, nem controlar.
A vida arrastra-os, a travês do tempo, quase sempre em caida livre, cara o sinsentido e a tristeça.
Só que o tango, é a quinta-esséncia desse existencialismo: Percantas que gambetean a pobreça nas casas de pensão, homens que sofren por elas, caendo cada vez mais baixo por un amor impossível, porque un homem mais rico as mantén.
Bacanas que jogam com seus amantes como joga um "gato maula con un mísero ratón".
Jogadores de apostas compulsivos que por umha cabeça dum cavalo numha carreira, perdem para sempre o amor que "borra la tristeza,calma la amargura". E jà não querem seguir a viver.
Que centos de veces querem deixar o jogo, mas , ao final, por "una cabeza todas las locuras".
Hà um tango, que pertence ao filme de Saura, mas que tirei subido por outra via.
Era o preferido dos meus pais, que o bailavam na sua mocidade:




"La Cumparsita"

Deixo-vos este video e estes outros audios, para que podás perceber as palàvras:





Andrés Calamaro, um dos meus artistas portenhos preferidos, acompanhado na guitarra por "El niño Josele", canta este "Mano a mano", cheio de palàvras em Lunfardo, a lingua do arrabal portenho e do tango. Calamaro, como cada portenho que conheço, encarna em si mesmo a esséncia existencial-velaí a contradicção- portenha,por excelência . As suas versões dos tangos clásicos no seu trabalho "Tinta Roja", é preciosa, ao meu ver.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Feminino e masculino

Duas versões do tango fermossísimas, na estética.
Mulheres:



Homens:
Julio Bocca,Carlos Rivarola, Astor Piazzola...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Outros arrabaldos, outras músicas


Pois como gosto tanto das histórias, da gente ravaleira de todos os arrabaldos do planeta,e das suas músicas, hoje vou continuar com outro filme que Carlos Saura, o director de cinema, lhe adica a outra cidade sonhada por mim, a miudo, mália nunca a ter pisado. Mas as cousas que se sonham, adoitam ser as mais fermosas, porque em elas imos deixando o mais fermoso de nós mesmos; as nosas fantasias.
Pois esta cidade que digo, é umha cidade grande, umha grande metrópole boémia, pesimista, triste e contraditória. Umha cidade que se queixa de tudo, mas que, no fundo, acredita ser a m elhor do mundo. Umha cidade que vive a cabalo do orgulho e do pesimismo, a partes iguais. Umha cidade na que, se mesturam a chuleria italiana com a saudade galega a partes iguais, e logo umhas pingas de todo o demais:
Polacos, franceses, ingleses, teutões, judeus, sírios, eslavos, gregos,bolivianos, peruanos...Numha amalgama que reflicte o que a vida é: Um tapis com cores que nunca acabam...
Aquí, neste primeiro video do filme de Carlos Saura, ve-se essa chegada de gentes de todo o mundo, com as suas malas cheias de recordos e ilusões:





Nostalgias...



A tristeça crepuscular dumha milonga: